sábado, 26 de dezembro de 2009

O Outro Lado do Terror


Quantas vezes você leitor já deve ter ouvido, e quiçá até mesmo tido por si só a imagem de que os muçulmanos são radicais, fanáticos religiosos e que devem ser combatidos a qualquer preço? Mas porque tal idéia existe? Simples. Não é de se admirar que o preconceito esteja tão arraigado assim na mente dos ocidentais, afinal desde o período das cruzadas na idade média, o cristianismo implantou tal erro. Mas por que? Podemnos resumir esta resposta em apenas uma palavra: Poder. Ao invadirem a Palestina as desculpas foram as mais diversas: conversão dos infiéis, defesa dos peregrinos cristãos (que segundo eles eram roubados pelos "sarracenos") e tantas outras. Note que o termo sarraceno foi dado pelos cristãos como uma espécie de represália, pois significa que estes são oriundos de Saraa, esposa do Profeta Abraão, como se Agar, mãe do Profeta Ismael (A.A.S.) não existisse, e como se esta linhagem não existisse, apenas a judaica, da qual eles mesmos não faziam parte. Neste período era propagado que inclusive matar um "sarraceno" não era pecado, mas uma glória, e que com isso o cristão assassino iria para o céu. E aqueles que tiveram as suas casas e terras invadidas e as defendiam passaram para história como os vilões.

Porém, o que mudou com o tempo? Criaram certas leis que proibem o preconceito. Proibem mas não acabam com ele, pois até hoje nos mais diversos países muçulmanos ao passarem nas ruas são olhados com ar de desconfiança, e constantemente ouvem algumas "piadinhas", algumas das quais não são nada inocentes e acabam de forma trágica, como foi o caso da grande Mártir Marwa Sherbini, assassinada violentamente com 18 facadas por Axel W. dentro do tribunal após processar o alemão por tê-la chamado na rua pela alcunha de "terrorista". Marwa deixou seu marido, seu filho de apenas três anos que aparecem na foto, além de ter perdido seu filho juntamente com sua vida, pois estava grávida de três meses.

Embora seja completamente inútil, hoje ainda existem ONGs, com a tentativa de se acabar com a intolerância religiosa, como a "Eu Tenho Fé", que promove caminhadas com pessoas das mais diversas religiões anualmente na orla da praia de Copacabana. Mas por que digo ser de nehuma utilidade tal serviço? Porque já temos na Constituição Federal, no Código Penal e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, parágrafos, incisos e tudo mais que nos dá direito de sermos respeitados pela escolha que fazemos no campo espiritual. Mas isso não acontece mesmo com tais leis. Logo, não precisamos que se criem novas leis para isso. Temos sim é que fazer valer as que já existem.

Há aproximadamente duas semanas atrás eu e minha esposa, que também é muçulmana, fomos até o Sine - Sistema Nacional de Emprego sito no Centro do Rio de Janeiro. Ao chegar ao local, os diversos olhares em tom de curiosidade para minha esposa, que utiliza o hijab (véu islâmico) não nos incomodou de forma alguma, até mesmo porque já estamos acostumados com isso. Porém ao chegar a vez de sermos atendidos, nós que estávamos nos candidatando à mesma função, fomos informados pelo atendente, Sr. Sérgio, de que a vaga que tinha disponível era apenas masculina. Fomos para casa após um exaustivo dia e imagine a minha surpresa no dia seguinte ao chegar ao local da vaga e encontrar um número de mulheres maior que o de homens. Com isso fica caracterizado mais que claramente o preconceito que ainda encontramos em uma sociedade que embora levante a bandeira da civilização, de ser "descolada", nada "careta", ainda alimenta idéias dos tempos medievais, sendo assim agente de um terrorismo velado que mina moralmente o indivíduo que estando no meio, é julgado pelos demais apenas por não se procurar entender o que se julga diferente. Bem-vindo à nova idade das trevas.

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