terça-feira, 27 de abril de 2010

A Incoerência Entre Pensamento, Palavra e Ação: A intolerância do Neopentecostalismo

Este ano, no mês de fevereiro o Centro Islâmico do Ceará recebeu por e-mail uma ameaça não apenas para seu local de reunião, porém para todo o Islam e todos os muçulmanos brasileiros. No e-mail enviado - que demonstrava a falta de educação escolar recebida pelo autor, uma vez apresentavam vários erros de portugês - o seu remetente dizia ser membro da Igreja Universal do Reino de Deus como aparece também em seu endereço de e-mail como podemos ver na figura abaixo.


Ao fim do e-mail o mesmo ameaça incendiar o Centro Islâmico, e põe a figura de uma Mesquita pegando fogo. E termina dizendo que o Brasil, país da liberdade não vai deixar que o Islam permaneça aqui, e ameaça a todo muçulmano que sair nas ruas à noite.
Isto demonstra a que ponto já chegou a intolerância religiosa contra o Islam, e como tais agressores são incoerentes quando as mensagens pregadas por eles em palavras, mas repudiadas em suas ações.
Cremos que esta "síndrome de Nero" seja também incentivada por símbolos de diversas instituições religiosas protestantes - obviamente sendo tal incentivo psicológico subliminar. Não que as mesmas - como as que aparecem aqui representadas - incentivem tal ato, porém outras até o fazem. Mas é comum vermos logotipos com a cruz incendiada, como veremos a seguir. O que nos remete também ao grupo sectarista e racista americano conhecido como Ku Klux Klan, que mata judeus, negros, muçulmanos e imigrantes. Vejam as fotos e tirem suas conclusões:

Um grande avanço porém já ocorreu no Brasil desde que foi fundada a Comissão de Intolerância Religosa. E certamente cremos que tais casos não ficarão impunes.

Há inclusive aqueles que escrevem matérias ou tais tipos de ameaça, tentando se respaldar na lei da Liberdade de Expressão. Porém esta só é válida se não for contra as outras leis já pré-estabelecidas. Todavia muitos por desconhecimento ou má fé andam no limiar entre o direito da livre expressão e o crime da Intolerância Religosa, da Calúnia e da Difamação.

Enfim, se esta é a forma de fazerem o povo a aderir a "verdade evangélica", certamente não o farão, pois não era isso que o honrado Profeta Jesus (A.A.S.) ensinava.

A verdade sempre teve como inimigos aqueles que querem manipular idéias próprias e divinizá-las, nem que para isso seja necessário atribuir estas mesmas idéias a homens tão renomados como os Profetas por exemplo.

Leitor, pense... o que vemos hoje são os reais ensinamentos de Jesus (A.A.S.)? Somos nós os terroristas? Jesus aprovaria tais atitudes? Não seriam tais religiosos agentes de Satã? Lembre-se do que Jesus (A.A.S.) disse em seu Evangelho: "Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor entrará no Reino de Deus, mas aquele que faz a vontade de Deus".

7 comentários:

  1. OLá, Omar!

    Sou a coordenadora de comunicação da Comissão de Combate à Intolerância REligiosa. Peço sua permissão para disponibilizar seu texto no site www.eutenhofe.org.br (da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa)

    Vcs podem realizar queixa na delegacia com n=base na Lei 7716/89 e enquadrar ainda como crime de internet - não conheço exatamente o numero da lei, mas a polícia sabe.

    Caso vc não tenha interesse, envie por favor uma mensagem para o email: rosiane.r72@gmail.com

    Abraços fraternos,

    Rosiane

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  2. Como metodistas me sinto profundamente ofendido com a comparação entre a cruz queimada da KKK e o símbolo de minha igreja. Entrarei em contato com quem de direito e pedirei retratação.

    Sugiro também que tanto quem escreveu originalmente este artigo e que o reproduziu que procure saber um pouco mais sobre o que pentecostalismo, "neopentecostalismo" e igrejas Tradicionais para saber que ser cristão protestante não ser "evangélico", aliás isto é tão lícito quanto os estereótipos que apontam os islâmicos como fáticos e terroritas.

    Rolf Ribeiro de Souza
    Doutor em Antropologia pela UFF e professor de escola dominical da igreja metodista

    Rolf de Souza
    Doutor em Antropologia pela UFF e professor de escola dominicalda da Igreja Metodista de Alcântara

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  3. Caro Omar,
    Sinto que faltou ao seu texto uma pesquisa um pouco mais profunda. O símbolo que você compara ao da KKK é da Igreja Metodista, que gerou pessoas como William Wilberforce, que no séc. XIX militou pelo fim da escravatura nos Estados Unidos. John Wesley, iniciador deste movimento no séc. XVIII, na INglaterra, chamou a escravatura de "a mais odiosa perversidade humana" e ainda “o escândalo da religião de Inglaterra e da natureza humana”.
    O símbolo da chama tem relação com um dos pontos centrais da doutrina metodista, chamada testemunho interior do Espírito Santo. Esse testemunho leva a pessoa a praticar a verdade bíblica fundamental que é o amor a Deus e o amor ao próximo.
    Querido Omar, você é meu próximo, e o amor de Cristo me leva a concordar com você que qualquer cerceamento a prática religiosa deve ser combatido.
    Mas, por favor, cuidado com as generalizações. Posto que a lei hoje é dura e há uma predisposição de condenar os evangélicos em geral, corremos o risco de combater a injustiça cometendo outra, e provocando uma perseguição religiosa sem precedentes neste país.
    É isso que você quer?
    Pois então peço encarecidamente que refaça seu texto e retire a comparação da cruz e chama metodista com a cruz da KKK. Pense nisso, seria como comparar todos os muçulmanos a Osama Bin Laden, ou a um homem-bomba. É assim que quereis ser conhecidos nesta terra?
    Deus te abençoe.
    Pr. Marcelo Carneiro
    Professor de Sagradas Escrituras
    Pastor da Igreja Metodista

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  4. Caros Leitores e Pr. Marcelo

    Embora tenha utilizado o símbolo, de forma alguma me referi a qualquer momento ao fato de tais instituições incentivarem tais atos sectaristas. Tanto é assim que coloquei como resalva a seguinte frase: Não que as mesmas - como as que aparecem aqui representadas.
    Se forma alguma é minha intenção generalizar e sempre tive as Igreja Metodista em alta conta. Quanto aos pastores evangélicos, tampousco generalizo, basta ler a parte de boas vindas á direita do blog. Porém se os senhores acharam a matéria ofensiva, peço que me informem e se necessário for a modificarei para que tenha um caráter sim mais informativa, uma vez que o Islam preza sempre pela justiça e não é minha intenção cometer qualquer injustiça contra qualquer inocente que seja, motivo pelo qual publiquei os vossos comentários juntamente com a minha correção e meu pedido de retratação e desculpas a quem magoei ou feri sem intenção.
    Como muçulmano abomino qualquer intolerância religiosa, porém se utilizei alguma imagem indevida, mas uma vez peço desculpas e a registro também publicamente, e corrijo minha posição retrando tais imagens para que não traga qualquer idéia equivocada aos leitores.
    Grato,
    Omar Israfil Dawud

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  5. Caríssimo Omar,
    Quero publicamente manifestar meu contentamento em perceber que você é uma pessoa razoável, e queo Deus Único te encha de sabedoria.
    Creio que para combatermos a intolerância precisamos pregar o amor e o diálogo entre os diferentes, como fez o sábio MArtin Luther King, Jr, que muitos consideram um profeta cristão da atualidade.
    Ao mesmo tempo, nesta situação pude experimentar um pouco do sentimento que deve perpassar vocês, fiéis do Islam, quando são discriminados. O que dói aí dói aqui.
    Aprendi uma importante lição neste episódio, e pode ter certeza que mais respeito ainda terei daqueles que vivenciam a fé de maneira diversa da minha.
    Deus seja contigo.
    Pr. Marcelo.

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  6. Caro Pr. Marcelo
    Gostaria muito de tê-lo como amigo. Caso tenha orkut gostaria que por gentileza me adicionasse.

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  7. Caro Omar,

    Faço das palavras do pastor Marcelo as minhas.

    Nós metodistas somos acima de tudo amigo da Paz e somos também contrários a qualquer forma de descriminação, seja por credo, gênero, orientação ou raça. Prova disso é que somos a única igreja protestante no Brasil que tem uma pastoral de combate ao racismo.

    Um grande abraço e que o Deus Altíssimo nos oriente no caminho da PAZ, sempre!

    Rolf Malungo de Souza
    Doutor em Antropologia pela UFF e professor de escola dominical da Igreja Metodista de Alcântara

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