Maria, mãe de Jesus:
A “Mãe de Deus” como dizem os católicos? Ou uma “mulher como outra qualquer”
como dizem os evangélicos? Na verdade o Islam como a religião do equilíbrio,
ocupa uma linha intermediária entre ambas as visões, afirmando categoricamente
que ela nem é divina ou mãe de Deus, e nem é uma mulher comum. Na verdade Deus
no Sagrado Alcorão diz sobre Maria:
“Recorda-te
de quando os anjos disseram: Ó Maria, Allah te elegeu e te purificou, e te
preferiu a todas as mulheres da humanidade!” (Sagrado Alcorão – Sura Al Imran Ayah 42).
Mas... se quisermos
ampliar nosso estudo ainda mais, também encontraremos na Bíblia o seguinte
texto:
“E, entrando
o anjo onde ela estava, disse: Salve agraciada, o Senhor é contigo, bendita és
tu entre as mulheres.” (Evangelho
Segundo Lucas, Cap. 1 vs.: 28).
Esse texto foi
retirado da Edição Revista e Corrigida da Bíblia editada pela Sociedade Bíblica
do Brasil. No entanto para a nossa surpresa vemos que na Edição Revista e
Atualizada, a afirmação do Anjo Gabriel: “Bendita és tu entre as mulheres”
simplesmente desaparece. Como isso é possível quando lemos na própria Bíblia as
passagens a seguir:
“Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo ,
Deus lhes acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar
qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da
cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.” (Ap.22:18-19).
“Como podeis dizer: ‘Nós somos sábios e a Lei
de Iahweh está conosco!’ Sim, eis que a transformou em mentira o cálamo
mentiroso do escriba! Os sábios serão envergonhados, ficarão perturbados e
serão capturados. Eis que desprezaram a palavra de Iahweh! O que é a sabedoria
para eles?”. (Jr.8:8-9)
“E não
mencionareis mais ‘Carga de Iahweh’, porque
a carga de Iahweh para cada um é a sua própria palavra. Vós perverteis as
palavras do Deus vivo, Iahweh dos Exércitos, nosso Deus!”. (Jr.23:36)
Enfim... deixemos
aqueles que adulteram por milênios, dia após dia a palavra originalmente
revelada por Deus e voltemos a Maria.
Embora ela possa ser
“a mulher entre todas as mulheres”,
nós não devemos adorá-la como os católicos fazem, disfarçando, porém tal
adoração com o termo em grego “hiperdulia”, que quer dizer
hiper-veneração. Se porém consultarmos no dicionário a palavra adorar e venerar
veremos que são sinônimas. Vejamos:
Venerar: 1 Tratar com profundo respeito; render culto
a: 2 Acatar,
respeitar muito, ter em grande consideração
Adorar: 1 Reverenciar, venerar. 2 Amar extremamente,
idolatrar. 3 Gostar muito de. 4 Prestar culto a; cultuar.
Ora, sabemos que a
idolatria é o pior pecado que o ser humano pode vir a cometer. Encontramos por
exemplo na própria Bíblia:
“Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1Cor.10:14)
“Não vos voltareis para os ídolos, nem façais
para vós deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus.” (Lv.19:4).
O Sagrado Alcorão também
diz:
“Já te foi revelado, assim como aos teus
antepassados: Se idolatrares, certamente tornar-se-á sem efeito a tua obra, e te
contarás entre os desventurados.” (Sagrado Alcorão - Sura Az zúmar – Ayah 65).
E também:
“Deus jamais perdoará quem Lhe atribuir
parceiros, conquanto perdoe outros pecados a quem Lhe apraz. Quem atribuir
parceiros a Deus, desviar-se-á profundamente.” (Sagrado Alcorão – Suta Na Nissá – Ayah 116).
Por esta razão não é
lícito se orar para Maria para pedir nada, nem mesmo intercessão junto a Deus,
pois temos acesso direto a Ele. O próprio Deus nos orienta no Alcorão a dizer:
“Só a Ti
adoramos, e só a Ti imploramos ajuda.” (Sagrado Alcorão - Sura Al Fatiha – Ayah 5).
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| Mesquita Al Aqsa em Jerusalém, Palestina |
Com o que até aqui
já expomos, já podemos compreender que ela nem é uma mulher divina e nem é uma
mulher como outra qualquer. Porém alguns evangélicos poderão continuar
defendendo tal tese dizendo que ela não passou de uma mulher comum.
Bem, costumo pedir
para que eles reflitam no seguinte ponto: Se os mesmos crêem erroneamente que
Jesus é Deus, então me mostrem ou citem uma única mulher que tenha conseguido
colocar Deus na terra além de Maria e então concordarei com eles. Porém, não,
Jesus não é Deus. Mas então me mostrem apenas uma única mãe que tenha gerado em
estado de virgindade a um filho. Se não puderem me apresentar a evidência de
nenhuma outra, é um sinal que ela não foi como qualquer mulher. Além disso,
embora nós muçulmanos não creiamos que nenhum pecado tenha sido cometido por
nenhum dos Profetas de Deus, a Bíblia está eivada dos mais torpes deles
atribuídos a esses grandes homens, mas mostre-me apenas um único pecado
cometido pela Virgem Maria, e aí poderemos dizer que sim ela uma mulher como
todas as outras. Porém não encontrarão nenhum pecado nem na Bíblia, nem no
Sagrado Alcorão, pelo simples fato de que ela nunca os cometeu.
Poderão então dizer
que ela apenas concebeu Jesus em estado de virgindade, mas depois ela teve
relações com José e decorrente do ato sexual de Maria vieram filhos, ou seja,
os irmãos de Jesus citados na Bíblia. Mas isso não passa de mais um engano,
pois José apenas aparece na Bíblia em inserções feitas pela igreja para que
Maria, divinizada por esta mesma instituição não aparecesse como mãe solteira,
e assim não fomentasse outras mulheres a terem relações ilícitas e assim darem
a desculpa de concepção divina.
Mas de qualquer
forma vejamos as evidências no livro apócrifo intitulado: “A História de José o
Carpiteiro”. Tanto neste livro escrito em grego provavelmente no Egito por
volta do século IV e depois passado para o copta e para o árabe, como também no
Proto-Evangelho de Thiago, encontramos a afirmação de que José tinha cerca de
90 anos quando recebeu a responsabilidade de ser tutor de Maria, casando-se com
ela apenas para ampará-la, enquanto esta tinha entre seus 12 a 15 anos de
idade. Quanto a questão dos irmãos de Jesus e os supostos filhos de Maria, também
encontramos a explicação no livro “A História de José o Carpinteiro” que diz:
“Havia um
homem chamado José que veio de Belém, essa vila judia que é a cidade do rei
Davi. Impunha-se pela sabedoria e pelo ofício de carpinteiro. Este homem, José,
uniu-se em santo matrimônio com uma mulher que lhe deu filhos e filhas: quatro
homens e duas mulheres, cujos nomes eram: Judas e Josetos, Tiago e Simão; suas
filhas chamavam-se Lísia e Lídia. E a esposa de José morreu, como determinado
que aconteça a todo homem, deixando seu filho Tiago ainda menino de pouca
idade. José era um homem justo e dava graças a Deus em todos os seus atos.
Costumava viajar para fora da cidade com freqüência para exercer o ofício de
carpinteiro em companhia de seus dois filhos, já que vivia do trabalho de suas
mãos conforme estabelecia a lei de Moisés. (A História de José o Carpinteiro – Cap. 2. VS. 1-5).
Editora Mercúrio.
Mediante o acima
exposto podemos então concluir que Maria era um ser humano, uma mortal, como
podemos ver:
“O Messias,
filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiros que o
precederam; e sua mãe era sinceríssima. Ambos se sustentavam de alimentos
terrenos, como todos. Observa como lhes elucidamos os versículos e observa como
se desviam.” (Sagrado Alcorão –
Sura Al Máida – Ayah 75).
“E recorda-te
de quando Deus dirá: Ó Jesus, filho de Maria! Foste tu que disseste aos homens:
Tomai a mim e a minha mãe por duas divindades, em vez de Deus? Responderá:
Glorificado sejas! É inconcebível que eu tenha dito o que por direito não me
corresponde. Se o tivesse dito, tê-los-ia sabido, porque Tu conheces a natureza
de minha mente, ao passo que ignoro o que encerra a Tua. Somente Tu és
Conhecedor do desconhecido. Não lhes disse, senão o que me ordenaste: Adorai a
Deus, meu Senhor e vosso! E enquanto permaneci entre eles, fui testemunha
contra eles; e quando quiseste encerrar os meus dias na terra, foste Tu o seu
Único Observador, porque és Testemunha de tudo.” (Sagrado Alcorão – Sura Al Máida – Ayat 116-118).
Concluíamos então
que embora Maria seja a melhor mulher que já existiu, tendo gerado a Jesus em
estado de virgindade, a mesma viveu toda a sua vida neste mesmo estado, porém
não deve ser adorada, não deve ser utilizada como intercessora e nem mesmo ter
orações direcionadas a ela.
Serve porém como
exemplo de fé, dedicação, amor e submissão incondicional a Deus para todas as
muçulmanas. E por que não dizer para todas as mulheres? Ela que foi muçulmana
em toda essência da palavra.


Muito bom, Omar!
ResponderExcluirE pensar que entrei numa igreja batista, acompanhada de uma amiga, ouvi o pastor chamar Maria de SAFADA... saí da igreja na hora!