quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aviso ao Leitor - Equipe do ANC no Hajj


Caro Leitor do A Nova Cruzada


É com grande felicidade que comunicamos que durante o período compreendido entre os dias 28 de outubro de 2011 a 14 de novembro de 2011, nosso blog não terá novas postagens, uma vez que nós do A Nova Cruzada (Omar e Fatimah) estaremos no Hajj (a peregrinação à Maka), cumprindo um dos cinco pilares do Islam, obrigatório para todo aquele que tenha condições financeiras e de saúde.
Como fomos presenteados por nossa comunidade e por diversos Shuyukh (plural de Sheikh) com essa possibilidade, nossa felicidade se torna ainda maior, pois de outro modo não teríamos condições para tal. 
Rogamos a Allah Subhana wa Ta'ala que abençoe imensamente a família, a saúde e os bens de todos aqueles que tornaram o cumprimento do Hajj possível para nós.

Ma Salam,

A Nova Cruzada

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Maria Como uma Divindade: O Alcorão Errou?

É muito comum no meio pentecostal ouvirmos acusações aos católicos, de que os mesmos idolatram a Maria, mãe do Profeta Jesus (A.S.). No entanto muitos não param para pensar no sentido da palavra idolatria, que significa "adoração a ídolos". Logo, os mesmos afirmam que os católicos adoram à Maria. Ora, quem é o único ser digno de adoração? Não seria Deus? Então de acordo com a linha de raciocínio dos mesmos, os católicos adoram a Maria, tanto quanto a Jesus (A.S.) como se estes fossem dois deuses.
Existem teorias e mais teorias no meio pentecostal que dizem que o Profeta Muhammad (S.A.S.) errou ao escrever o Sagrado Alcorão quando afirmou:

"E lembra-lhes de quando Allah dirá: 'Ó Jesus, filho de Maria! Disseste tu aos homens: 'Tomai-me e a minha mãe por dois deuses, além de Allah?". (Sagrado Alcorão - 5:116).

Primeiramente é necessário dizer que o Sagrado Alcorão não foi escrito pelo Profeta Muhammad (S.A.S.). Não foi ele o seu autor, mas Deus, que por intermédio do Anjo Gabriel ia revelando a mensagem (ditada) ao Mensageiro de Deus (S.A.S.) que por sua vez ditava aos seus companheiros de mais ilibada reputação e confiabilidade.
Como então podemos admitir que Deus tenha errado? Seria no mínimo incoerente. Allah não afirmou que os cristãos adoram uma trindade na qual Maria é um dos componentes. Ele disse na ayah acima que os cristãos já no século VII d.C.. estavam adorando a Jesus (A.S.) e sua mãe como duas divindades. Para aqueles que ainda são céticos a esse respeito, recomendamos que vejam atentamente a imagem abaixo, conhecida na Igreja Católica, como o Divino Pai Eterno. Nela Deus é representado como um ancião de longas barbas, o que de acordo com a Torah, a Bíblia e o próprio Alcorão é inadmissível. No entanto vejamos quem aparece juntamente com a Trindade como se fosse igualmente uma divindade, assim como os católicos vêm a Jesus e ao Espírito Santo.
Cremos que não seja necessário nos alongarmos mais, visto que contra fatos não há argumentos, e uma vez que uma imagem vale mais que mil palavras.

Imagem do "Divino Pai Eterno".
Maria aparece junto à trindade como uma deusa.
Sobre Maria e a Trindade, recomendamos que assistam os vídeos abaixo:




domingo, 9 de outubro de 2011

Por Que Os Sacrifícios de Expiação Cessaram?


A suposta crucificação de Jesus (A.S.)
Quantas vezes leitor você já ouviu dizer que Jesus (A.S.) se sacrificou por você? E esta tem sido a forma apelativa do Cristianismo durante séculos a fio impor um sentimento de culpa a seus adeptos  por algo que não seria de sua responsabilidade mesmo que houvesse ocorrido, pois na própria Bíblia lemos:

"A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este.
Mas, se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é reto e justo, certamente viverá; não será morto. De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou viverá. (Ez.18:20-22) - Bíblia Sagrada - João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil - SBB - 2006.

Adão (A.S.) e Eva no Paraíso.
Da passagem acima exposto podemos tirar a lição de que nós não somos responsáveis pelo pecado cometido por Adão (A.S.) e Eva, até mesmo porque embora a Bíblia e a Torah não relatem, o Sagrado Alcorão o faz, afirmando que os pais da raça humana se arrependeram de seu pecado e foram perdoados por Deus. Veja:

"Adão obteve do seu Senhor algumas palavras de inspiração, e Ele o perdoou, porque é o Remissório, o Misericordiosíssimo." (Sagrado Alcorão - 2:37)

Logo o pecado original proclamado pela Igreja tão fortemente por mais de 2.000 anos NÃO EXISTE. Toda criança nasce completamente pura ( em estado de fitra). Em contrapartida a partir do momento que tomamos consciência de nossos próprios atos, passamos a ser responsáveis por cada pecado que cometemos, e ninguém paga pelo pecado do seu próximo.
Levando isso em consideração leiamos o que diz o Sagrado Alcorão, que neste caso corrobora o texto bíblico acima: 

"E nenhum pecador arcará com culpa alheia." (Sagrado Alcorão - 35:18).

Ora, se um pecador não paga pelo pecado de outrem, por que uma pessoa inocente, sem pecados, como foi o caso do Profeta Jesus (A.S.) pagaria com sua própria vida pelos nossos erros? E ainda assim, se hoje questionarmos a um cristão se este é pecador, se ele for sensato e honesto para consigo mesmo dirá obviamente que sim. De que então teria valido o suposto sacrifício de Jesus (A.S.) na cruz se seus seguidores continuam pecando e sendo pecadores? Além do mais, onde estaria a justiça e a coerência divina em um inocente pagar pelos culpados?
O que isso acarreta? Desculpas para se continuar praticando o que é pecaminoso, pois se Jesus (A.S.) "já pagou" por tudo o que eu pequei e ainda vou pecar, o que me impede de continuar pecando? Seria essa uma conduta moral inadequada, mas bastante cômoda.
Mas você deve estar se perguntando: onde estamos querendo chegar com isso tudo? 

O Sacrifício

Existe entre os cristãos a crença de que o sacrifício expiatório de animais terminou porque Jesus (A.S.) que identificado nos Evangelhos como "O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo.1:29, 36) já morreu por nós e assim como o cordeiro, expiou os nosso pecados, e por esse motivo os sacrifícios pararam de ser oferecidos a Deus. Será mesmo?
Primeiro analisemos que sentido faria o sacrifício de Jesus (A.S.) de acordo com a própria Bíblia: Embora seja evidente que Jesus (A.S.) tenha sido um homem, quando se trata de provar fatos a certos cristãos todo tipo de prova é necessária para evitar suas derivações filosóficas mirabolantes e abstratas. Vejamos na Bíblia a prova da humanidade de Jesus (A.S.): "Cristo Jesus, homem." (1Tm.2:5) - Bíblia Sagrada - João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil - SBB - 2006.
Continuando em (1Tm.2:6) lemos: "O qual deu a si mesmo por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos." (Bíblia Sagrada - João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil - SBB - 2006.) Vejamos porém se o sacrifício de um ser humano é válido, permitido e agradável a Deus: "Não farás assim ao Senhor, teu Deus, porque tudo o que é abominável ao Senhor e que ele odeia fizeram eles a seus deuses, pois até seus filhos e suas filhas queimaram aos seus deuses. Tudo a que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás." (Dt.12:31-32). E ainda: "Deram culto a seus ídolos, os quais se lhes converteram em laço; pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios e derramaram sangue inocente, o sangue deu seus filhos e filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi contaminada com sangue. Assim, se contaminaram com as suas obras e se prostituíram nos seus feitos. Acendeu-se, por isso, a ira do Senhor contra o seu povo, e ele abominou a sua própria herança..." (Sl.106:36-40).   Bíblia Sagrada - João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil - SBB - 2006. Ora, será que o mesmo Deus que abominava sacrifícios humanos de repente mudou de idéia? Improvável, para não dizer incoerente.
Se os judeus não creem que Jesus (A.S.) é o messias, ou um profeta de Deus e etc. E se para eles o fato de Jesus (A.S.) ter vivido ou morrido não faz a menor diferença, pois segundo sua crença Jesus (A.S.) na melhor das hipóteses não passou de um homem comum (porém há linhas no judaísmo que afirma que ele tenha sido um charlatão) por que eles pararam de oferecer sacrifícios também? Por que Jesus (A.S.) já morreu por nossos pecados e é o Cordeiro de Deus? Não. A resposta encontraremos no Sidur, livro em que se encontra todas as liturgias judaicas utilizada pelos judeus diariamente. Nele, durante o Shacharit (Ofício da Manhã) se lê: "Que seja de Tua vontade, ó Eterno, nosso Deus e Deus de nossos pais, ter compaixão de nós e perdoar todos os nossos pecados, outorgar a remissão de todas as nossas iniquidades e perdoar todas as nossas transgressões; e que, com brevidade, reconstruas o Teu Santo Templo, prontamente, em nossos dias, de maneira que possamos oferecer, diante de Ti, o Sacrifício Contínuo para a nossa remissão, conforme prescreveste a nosso respeito na tua Torá, por intermédio de Moisés, Teu servo, diretamente da Tua Glória, assim como foi dito..(depois segue Nm.28)". Sidur Completo - Editora Sêfer.
Analisados os pontos acima podemos chegar a conclusão de que o fim dos sacrifícios de animais no meio judaico-cristão nada tem haver com a suposta imolação de Jesus (A.S.). Primeiro porque ele jamais pagaria pelo pecado de outrem como já provamos nas escrituras; segundo porque o sacrifício humano é abominável a Deus como pudemos também constatar; terceiro porque se o Templo estivesse ainda erguido, os sacrifícios continuariam, e é isso que os judeus pedem diariamente em suas orações matinais; quarto porque comparar um profeta de Deus, o Messias, a um animal é altamente pejorativo. Em suma: NÃO, JESUS (A.S.) NÃO MORREU POR VOCÊ! Faça sua parte o melhor que possa, saia do comodismo, peça constantemente o perdão de Deus pelos seus pecados, tome a firme resolução de não voltar a praticar tais atos e saiba que Ele é justo, mas confie também em Sua misericórdia.

sábado, 8 de outubro de 2011

Ismael (A.S.) e Isaque (A.S.): Verdades e Mitos


Quem foi o primogênito e o filho da promessa de Abraão de acordo com a Torah e a Bíblia? Para judeus e cristãos durante séculos e séculos a resposta tem sido sempre a mesma: Isaque (A.S.), sem sobra de dúvidas. Mas se analisarmos os próprios textos destes livros sagrados veremos que não é bem assim.
Lemos por exemplo:

“Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos, tendo, porém, uma serva egípcia, por nome Agar, disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai. Então, Sarai, mulher de Abrão tomou a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, depois de ter ele habitado por dez anos na terra de Canaã. Ele a possuiu, e ela concebeu.” (Gn.16:1-4) – Bíblia João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006.

Primeiramente vemos que Sara, esposa do Profeta Abraão (A.S.) não podia ter filhos, por isso deu a sua serva como mulher a seu esposo. Porém o termo “mulher” tem despertado muitas divergências, pois de um lado muçulmanos e judeus afirmam que esta palavra neste contexto tem o sentido de “esposa”, enquanto os cristãos afirmam que ela era apenas uma “concubina” de Abraão. Ora, se consultarmos o dicionário Michaelis veremos que o significado de concubina é: 1 Mulher ilegítima; amásia, barregã. 2 Rameira. Agora vejamos o significado de Amásia no mesmo dicionário: amante, concubina. Vejamos também de Barregã: Mulher amancebada, amásia, concubina. E por último vejamos o significado de Rameira: meretriz, prostituta.
Mediante o acima exposto é difícil crermos que um profeta de Deus, que é referência para todo o seu povo também dentre os profetas, tenha tido relações com uma amante ou com uma prostituta, pois desse modo seria ele um adúltero e mereceria a morte por apedrejamento como ensinado pela própria Bíblia ou Torah.
Porém aqui felizmente não é este o caso, pois Agar, ou Hagar (como no hebraico) foi dada de fato como “esposa” à Abraão, e logo como tal, passou a ter o mesmo status de Sara, pois era e não sua amante, como poderemos ler a seguir:

“Depois de Abrão ter vivido em Canaan por dez anos, sua esposa Sarai tomou Hagar, a egípcia, sua escrava, e a deu a seu marido Abrão como esposa.(Bereshit ou Gn.16:3) – A Torá Viva – Anotada pelo Rabino Arieh Kaplan – Editora Maayanot – 2.000.

Isto resolvido, por já sabermos que Hagar era tão esposa quanto Sara, e por isso o filho proveniente deste casamento não era ilegítimo nem para Hagar, nem para Abrão (A.S.), e na verdade nem mesmo para Sara, pois ela autorizou a união, mesmo que tenha ficado com ciúmes depois. De acordo com a Bíblia, ela já tinha autorizado a união, e o casamento com sua permissão já havia se consumado. Logo, o filho proveniente da união de Abraão (A.S.) e Hagar de forma alguma era um bastardo.
Então sempre haverá aqueles que dirão que na verdade o filho amado por Abraão (A.S.) seria Isaque (A.S.), e partido desta linha de raciocínio poderíamos questionar então senso de justiça de um profeta de tal renome. Porém vejamos a seguinte passagem e o que ela nos revela:

“Disse também Deus a Abraão: A Sarai, tua mulher, já não lhe chamarás Sarai, porém Sara. Abençoá-la-ei e dela te darei um filho; sim, eu a abençoarei, e ela se tornará nações; reis e povos procederão dela. Então, se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: A um homem de cem anos há de nascer um filho?? Dará à luz Sara com seus noventa anos? Disse Abraão a Deus: Tomara que viva Ismael diante de ti. (Gn.17:15-18) Bíblia João Ferreira de Almeida Reviste a Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006)

Vejamos que mesmo Deus tendo prometido um filho a Abraão (A.S.) ele se lembra e pede para que Isamel (A.S.) seu filho primogênito (e até então unigênito) viva diante da presença de Deus.
Analisemos agora o período de nascimento de Ismael (A.S.) e de Isaque:

“Era Abrão de oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu à luz Ismael.” (Gn.16:16).

“Tinha Abraão cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.” (Gn.21:5)
Bíblia João Ferreira de Almeida Reviste a Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006)

Percebemos pelo exposto acima que Ismael (A.S.) era 14 anos mais velho que seu irmão Isaque, e como tal, Ismael era o primogênito.
Então alguns poderão dizer que a primogenitura de Isaque foi ganha em detrimento da de Ismael por meio do versículo a seguir, e que ele (Isaque) é que de fato é então o “filho da promessa”:

“A minha aliança, porém, estabelecê-la-ei com Isaque.” (Gn.17:21). Bíblia João Ferreira de Almeida Reviste a Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006).

Mas vejamos a promessa que foi feita com referência a Isaque (A.S.):

“Disse também Deus a Abraão: A Sarai, tua mulher, já não lhe chamarás Sarai, porém Sara. Abençoá-la-ei e dela te darei um filho; sim, eu a abençoarei, e ela se tornará nações; reis e povos procederão dela. (Gn.17:15-16). Bíblia João Ferreira de Almeida Reviste a Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006).

Agora vejamos se a mesma promessa não foi feita à Isamel (A.S.):

“Quanto a Ismael, eu te ouvi: abençoá-lo-ei, fá-lo-ei fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; gerará doze príncipes, e dele farei uma grande nação.” (Gn.17:20) Bíblia João Ferreira de Almeida Reviste a Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006).

Sabemos claramente que de Isaque (A.S.) vieram os judeus, e de Ismael (A.S.) vieram os muçulmanos. Bem, quem é a maior nação hoje, judeus ou muçulmanos? De acordo com o Escritório Central de Estatísticas de Israel há cerca de 13,3 milhões de judeus em todo mundo. Já os muçulmanos em 2009 passavam a marca de 1,5 bilhões. Hoje, já formam 25% da população mundial. Quem se tornou a maior nação?
Se isso ainda não bastasse podemos ler na Bíblia:

Profeta Abraão (A.S.) prestes a sacrificar
seu filho, o Profeta Ismael (A.S.).
“Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui!
Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Mosiá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que te mostrarei.” (Gn.22:1-2).
Bíblia João Ferreira de Almeida Reviste a Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006).

Não é necessário ser nenhum gênio para entendermos que é inviável que neste excerto Deus esteja se referindo a Isaque (A.S.), sendo seu nome posteriormente colocado nos manuscritos como um acréscimo tardio, pois durante 14 anos Ismael (A.S.) foi de fato o filho único, já Isaque (A.S.) nunca o foi, pois quando nasceu seu irmão Ismael (A.S.) já existia, logo concluímos que quem foi levado para o holocausto foi Ismael (A.S.) e não Isaque (A.S.).
Poço de Zam-Zam próximo à Meca, na Arábia
Quando falamos que Agar e seu filho Ismael (A.S.) foram para a Arábia, atual Arábia Saudita, ouvirmos acusações de que estamos sendo tendenciosos. Em especial quando afirmamos categoricamente que o poço da passagem abaixo se refere ao poço de Zam Zam, onde anualmente milhares de muçulmanos o visitam durante os ritos do Hajj (Peregrinação à Meca). Leia a passagem:

“Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água, e, indo a ele, encheu de água o odre, e deu de beber ao rapaz. Deus estava com o rapaz, que cresceu, habitou no deserto e se tornou flecheiro; habitou no deserto de Parã, e sua mãe o casou com uma mulher da terra do Egito.” (Gn.21:19-21).
Bíblia João Ferreira de Almeida Reviste a Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – 2006).

Sobre tal poço, vejamos o que o Rabino Arieh Kaplan diz na nota de roda-pé de sua “A Torá Viva”:

“Ibn Ezra o identifica com Zimum (ou em outras versões Zimzum), onde os árabes matem um festival anual. Este é Zenzem perto de Meca. De acordo com isso portanto, Hagar dirigiu-se para a Península Arábica e não em direção ao Egito.”  (A Torá Viva) Pg. 74 – Editora Maayanot.

Elohim: mesma raíz semítica de Allah
Outro grande mito sobre os muçulmanos é que Allah é um deus particular dos muçulmanos. Quanto a isso vejamos o que a própria Bíblia diz:

“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência.” (Gn.17:7)

Allah: mesma raíz de Elohim
Logo podemos chegar a conclusão que o Deus de judeus, muçulmanos e cristãos originalmente que é verdadeiro Deus, Uno e Único, e não o adorado desde 325 d.C. por cristãos após o Concílio de Nicéia que se tornou por gosto de um grupo de homens, trino e uno.
O nome Allah provém como já dito neste blog tantas vezes da raiz semítica “Elloh”, em comum entre o hebraico e o árabe, que no plural majestático no hebraico passa para Elohim. Ou seja não há qualquer divergência quanto a isso entre muçulmanos e judeus.
Enfim, com este artigo esperamos ter esclarecido mais um dos muitos mitos criados por aqueles que desconhecem além de sua própria religião também ao Islam.

domingo, 2 de outubro de 2011

Saiba Mais Sobre Seus Direitos e Lute Por Eles!!!

Nereide e seu marido Hassan Vallido
Toda mulher muçulmana que usa Hijab (vestimenta que inclui o véu) tem o direito de retirar qualquer documento com foto trajada da forma islâmica.
É absolutamente legal a retirada de documentos com fotos onde os cabelos fiquem cobertos pelo lenço desde que o rosto fique a mostra.
Todos os funcionários públicos ou de instituições particulares deveriam saber disso, mas mesmo os que sabem, costumam exigir a apresentação de uma declaração de uma instituição islâmica reconhecida, confirmando a obrigatoriedade do uso do Hijab pelo Islam.
Na Constituição Federal do Brasil, em seu título II, ‘Dos Direitos e Garantias Fundamentais’, lê-se:
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)
II – Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei;
VI – É inviolável a liberdade de consciência de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e às suas liturgias.
VIII – Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
Discriminação religiosa é crime! Enquadra-se no art. 20 da Lei Caó (lei nº 7.716/89 alterada pelas leis nº 8.081/90 e 9.459/97. Lei nº 12.288/20.07.2010) conforme abaixo:
Art. 1º - Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Art. 20º - Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: Reclusão de um a três anos e multa.

*Informações retiradas do artigo de Jamila Hussein, para o Jornal Nurul Islam, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (março-abril de 2011 / Ano I – Nº 4).

A irmã Jamila Hussein escreveu o artigo em questão para expor o preconceito sofrido por ela e outras irmãs nos aeroportos, onde no momento do embarque, muçulmanas eram levadas a uma saleta e, constrangidas, eram obrigadas a retirar seus Hijabs para serem revistadas, enquanto as freiras passavam direto, sem necessidade de revista. A irmã esclareceu que uma simples decisão da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) não tem mais força que a Constituição Brasileira e que, nestes casos, as irmãs podem educadamente se recusarem a retirar o véu e caso o funcionário insista, para evitar a perda do vôo, você pode até submeter-se à revista, mas sob a condição de antes solicitar o nome e a matrícula do agente para anotar. Se ele se recusar, solicite a presença de seu superior, pois é seu direito ter esses dados para que você possa fazer posteriormente um Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima, a fim de encaminhar uma queixa ao Ministério Público, contribuindo assim para coibir este tipo de atitude.
No artigo postado aqui no “A Nova Cruzada”, em 10 de janeiro de 2011, “Hijab, A Identidade da Muçulmana”, fiz questão de postar minha própria identidade, tirada sem problemas no “Poupa Tempo de Bangu”, Rio de Janeiro, RJ. A única exigência feita foi uma declaração de uma instituição islâmica reconhecida (a minha comunidade), confirmando que eu sou muçulmana e a obrigatoriedade do uso do Hijab pelo Islam. Fui muito bem tratada por todos os funcionários e no prazo de três dias úteis recebi minha identidade, que poderia ter ficado pronta no mesmo dia, caso não fosse uma alteração que foi feita no meu nome.
O artigo encorajou diversas irmãs a também buscarem seus direitos de tirarem seus documentos com fotos usando Hijab. Uma destas irmãs, Nereide Vallido, de São Paulo, não teve a mesma facilidade...
Assim que leu o artigo no blog, a irmã Nereide, empolgada, foi ao Poupa Tempo em São Paulo, onde foi atendida “daquele jeitinho” que nós brasileiros já estamos acostumados a sermos tratados pelos órgãos públicos e disseram a ela que não adiantava esperar, que ela teria que agendar o atendimento pela internet ou pelo telefone. Voltando para casa, ela tentou “por semanas” agendar o atendimento pelo telefone, pois o agendamento não era feito pela internet como informado. Quando finalmente ela conseguiu o agendamento, a data marcada foi para o mês seguinte. Ela passou por esperas e filas, preenchimentos e conferências dos documentos que ela levou, inclusive o certificado da Mesquita. Então saiu de lá com um protocolo, o documento ficaria pronto no prazo de 1 mês e 15 dias. Após este período de espera, com o protocolo, o marido de Nereide, Hassan Vallido, foi buscar o documento dela. Após quase uma hora na fila, a atendente disse que ele tinha que levar os documentos originais de Nereide novamente. Indignado, mas mantendo a paciência, ele sugeriu que deveria haver algum equívoco, pois estava ali com um protocolo, que provava que todos os documentos já haviam sido apresentados e devidamente conferidos, portanto, bastava que ela entregasse o RG de sua esposa. Foi um tal de “chama um”, “chama outro”, até que por fim veio a chefe do setor dizendo que ele deveria trazer um outro documento da mesquita ou o RG não seria emitido. Voltou para casa novamente, sem o documento... Duas semanas após entregar um novo documento da mesquita que havia sido exigido, o irmão Hassan ficou por mais de 3 horas esperando para ser atendido, e vendo que “a coisa” não ia se resolver, ele disse que não sairia de lá sem o documento e caso saísse, fazia questão do nome da chefe do setor para fazer um BO para encaminhar ao Ministério Público por discriminação religiosa... Por fim, um Juiz de pequenas causas veio, e ele mesmo entregou o RG da Nereide ao Hassan.
Foi praticamente uma “novela”, mas a irmã Nereide, na semana passada, depois de tanto tempo, finalmente conseguiu seu RG!... Agora em outubro, ela terá que renovar sua carteira de Habilitação... Será que teremos outra novela?... Espero que não!

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia de Adoração Coletiva: Sexta, Sábado ou Domingo?

Esta semana estava passando próximo a uma banca de jornal, onde uma senhora escutava um programa gospel onde um Pastor dizia ser um absurdo o fato de hoje em dia termos igrejas evangélicas que passaram a ter o sábado como seu dia sagrado ao invés do domingo. O mesmo Pastor dizia que seus fiéis, estudavam o Antigo Testamento, mas que só seguiam o Novo. Isto nos despertou uma pergunta: Se os livros do A.T. deixaram de ser sagrados para os mesmos, por que continuam vindo em suas Bíblias? Por que os mesmos não utilizam então apenas o Novo Testamento? Porque estes tentam, sempre que lhes é conveniente, utilizar o Antigo Testamento como base para o Novo, como se de fato tivesse. Se o A.T. não é para ser seguido, por que motivo então continuam a usá-lo?
Mas isso não para por aqui, pois o referido clérigo diz que na verdade o dia que deve ser tomado como sagrado é o Domingo e não o Sábado.
Não muito raro perguntam para nós muçulmanos se não é inconveniente para nós ter como dia sagrado a Sexta-Feira. Se não seria melhor celebrar o sábado ou o domingo, por ser também fim de semana e todos estarem em casa, de folga de seu trabalho.
Bem,  na verdade  o conceito de fim semana é bem relativo, pois em diversos países ocidentais o domingo se tornou dia de descanso, em comunidades judaicas o sábado é o dia de descanso, e entre os muçulmanos, não temos um dia de descanso propriamente dito. Simplesmente por volta do meio-dia da sexta-feira, interrompemos nossas atividades comerciais para nos dirigirmos, sempre que possível, à  mesquita mais próxima para ouvirmos o sermão do nosso Sheikh ou Imam e participarmos da oração coletiva (e tudo isso dura em média uma hora), e depois retornamos às nossas atividades comerciais, pois diz Deus no Sagrado Alcorão:

"Ó crentes, quando fordes convocados para a Oração da Sexta-feira, recorrei à recordação de Allah e abandonai os vossos negócios, isso será preferível, se quereis saber. Porém, uma vez observada a oração, dispersai-vos pela terra e procurai as graças de Allah, e mencionais muito Allah, para que prospereis." (Sagrado Alcorão - 62:9-10).

Na verdade nós muçulmanos temos o nosso dia sagrado e de orações coletivas, primeiramente porque foi uma ordem decretada por Deus no Sagrado Alcorão, e segundo porque tanto a conotação do Sábado quanto a do domingo são Shirk (idolatria, politeísmo), pelos seguintes motivos:

O Sábado

Para os judeus, o sábado está prescrito na Torah (ou Pentateuco como chamado pelos cristãos) no seguinte ponto: 

"Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia e toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera." (Gn.2:1-3).

No entanto para nós muçulmanos isso é uma grande ofensa à natureza de Deus, pois ele é Al Kadir (O Poderosíssimo) e não se cansa, como inclusive diz a própria Bíblia na seguinte passagem:

"Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa , nem se fatiga?" (Is.40:28).

Ora, assim como a frase que é atribuída ao Profeta Isaías (A.S.), nós não podemos conceber como O Deus, Todo Poderoso, que originou todo o mundo através de Sua palavra pode se cansar.
Por isso é haram (pecado, proibido) para o muçulmano celebrar o Sábado como dia sagrado para descanso.

O Domingo

Símbolo Astrológico com
regência planetária dos dias
Os cristãos alegam ter o seu dia sagrado no Domingo porque Jesus (A.S.) ressuscitou neste dia, e porque ele próprio supostamente afirmou: "Porque o Filho do Homem é senhor do sábado." (Mt.12:8)
Ora, se os cristãos afirmam erroneamente que Jesus (A.S.) é Deus, não deveriam então adorá-lo no dia que seria dele? Neste caso o sábado?
Mas por que razão então o Domingo, (que ficou conhecido em português por vir da palavra latina Dominus - Senhor) passou a ser o dia em que os cristãos fazem seus cultos em homenagem a Jesus (A.S.)? Simples: Porque toda a igreja já havia adequado todos os seus ritos para que Jesus (A.S.), um Profeta e o Messias que seguia a Torah e o monoteísmo puro fosse confundido num sincretismo com o o então "deus Sol", chamado por vários nomes dentro de várias tradições, tal como Mitra.
Não é a toa que o natal, comemorado em 25 de dezembro, era em outrora a festa para o Sol Invictus, e não é sem propósito que o Domingo, chamado "Dia do Senhor" em latim é chamado em inglês de "Sunday", ou "Dia do Sol".
Para um melhor comparativo veja o símbolo astrológico ao lado que ilustra as regência planetária dos dias.

Sexta-Feira

Mimbar: Púlpito onde o Sheikh
ou Imam realiza o Sermão de Sexta-Feira
Analisemos agora por que razão os muçulmanos celebram seu dia sagrado, além da ordem já decretada por Deus no Sagrado Alcorão como  citamos acima:

"Abu Huraira relatou que o Profeta, que a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele, disse: "O melhor dia em que o sol se levanta é a sexta-feira; nesse dia, Adão foi criado, entrou no Paraíso e foi expulso dele. E o último dia acontecerá em uma sexta-feira." O Profeta também disse sobre a sexta-feira: "Nós, que somos os últimos, seremos os primeiros no Dia da Ressurreição, exceto cada Ummah (nação) que recebeu o Livro antes de nós e nós que o recebemos depois delas. Foi neste dia (sexta-feira) que Deus nos prescreveu e nos orientou, e às gerações que virão depois nós, com relação a isto, os judeus observando o dia seguinte e os cristãos um dia depois daquele."

Eis então, os motivos porque não é recomendável para alguém que seja monoteísta e creia na onipotência de Deus tornar ou o sábado ou o domingo como dia especial de adoração sobre qualquer outro.