quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ensinando História da Religião ao Pe. Paulo Ricardo

Que a Igreja Católica sempre tentou manipular a história e a ciência colocando os fatos como lhe convinham isso não é novidade para ninguém. Ela inclusive obteve êxito nesse particular durante um longo período, mas tentar se manter na mesma linha em pleno século XXI, em que a informação está disponível para qualquer um que queira acessá-la, é desacreditar toda uma instituição milenar.
Lembro-me que na época em que era seminarista li o livro do Prof. Felipe Aquino intitulado "Porque Sou Católico", e uma das coisas que mais me chamou a atenção era como ele tentava justificar as maiores barbaridades cometidas pela Igreja como se fosse algo bastante natural o assassinato deliberado de um número assombroso de pessoas durante a inquisição, o massacre dos Albigenses e etc. Fatos tão vergonhosos que fizeram com que o Papa anterior João Paulo II se desculpasse em nome da Igreja por eles.
Esta semana, buscando algum vídeo relacionado ao Islam no Youtube, me deparei com um cujo o título era: "O Advento do Islam". Nele, o tal Prof. Felipe Aquino, juntamente com o polêmico Padre Paulo Ricardo que há algum tempo atrás chamou os evangélicos de otários por não recorrerem à intercessão de Maria em suas orações, apresentavam juntamente um programa em que se propunham a esclarecer o tema em questão. Nele os absurdos e as contradições ditas por ambos provocava não somente em mim mas a todos os muçulmanos que assistiam, calafrios pelas verdadeiras aberrações e distorções na história provocadas pelo Padre Paulo Ricardo, que cá entre nós, nem parece ter estudado história da religião no seminário.
Assista o vídeo abaixo e depois leia as refutações ao mesmo.


A partir de agora acompanhe as refutações na ordem que aparecem no vídeo:
  1. Bem, o "Professor" em questão, que sequer se deu ao trabalho de pesquisar sobre a pronúncia correta do nome do Profeta Muhammad (S.A.S.) o chama e Maomé ou de Muhamád, enquanto a pronúncia correta seria Muhâmad e seu nome era Muhammad Ibn Abdullah.
  2. O Padre Paulo Ricardo também não agiu muito diferente e sequer pesquisou a pronúncia correta do nome do que ele chama de "fuga de Maomé". Teria sido a saída do Profeta Moisés (A.S.) do Egito uma fuga simplesmente ou uma ordem de Deus e por isso uma migração? E a palavra Pe. Paulo se pronuncia "Rígira". 
  3. O sucesso Padre foi apenas militar ou ocorreu devido ao povo ter enxergado a verdade revelada sem alterações? Afinal neste período predominava o politeísmo, do qual grande parte dos cristãos compartilhavam a ideia com a sua crença na trindade. Havendo porém alguns poucos cristãos que a negavam, como ainda hoje existe.
  4. O argumento da unificação dos árabes padre também é fraco. Como abordei em meu livro "A Chave dos Dogmas", se o próprio Profeta (S.A.S.) tivesse criado o Islam como subterfúgio para unificar os árabes, o Sagrado Alcorão também seria uma farsa, e se assim fosse, deveria corroborar a sua intenção. No entanto em nenhuma parte do Alcorão lemos algo a respeito da unificação dos árabes, logo Muhammad (S.A.S.) não teria sido nada objetivo e também não teria tido sucesso nesse particular.
    O conceito de Ummah (a Nação Islâmica), não está limitado aos povos árabes, mas a todo aquele que tenha aderido aos seis pilares da crença e pratique os cinco pilares do Islam, tendo então se tornado muçulmano. Ou seja: submisso voluntária e incondicionalmente ao Deus Único. Logo a Ummah, a Nação Islâmica é formada por muçulmanos árabes, europeus, chineses, americanos, africanos e brasileiros por exemplo.
    Se a proposta do Profeta Muhammad (S.A.S.) era unificar os árabes, por que este não aceitou prontamente a proposta feita pelos mais influentes em Meca de se tornar rei da Arábia e assim unificar todos os súditos?
  5. Diz o Padre: "Porque pra nós cristãos deus é trindade. É um só deus, mas ele é uma trindade de amor, uma comunidade de amor, e existem relações pessoais, existe essa possibilidade. Nós somos, assim, um  pouco iguais uns aos outros e portanto podemos dialogar e etc." Ora! Iguais a quem? A Deus?
    Aqui surgem algumas perguntas:
    1ª Se deus para os cristãos é uma comunidade, como pode ser um?
    2ª Logo depois de falar da possibilidade se relação pessoal com seu deus, o padre se compara a ele dizendo: Nós somos, assim, um pouco iguais uns aos outros e portanto podemos dialogar". Ora, então se os cristãos são "assim, um pouco iguais" a deus, onde entra o versículo bíblico a seguir?

    "A quem poderíeis comparar Deus, e que imagem dele poderíeis oferecer?" Bíblia Sagrada Is.40:18.

    Além do mais essa ideia de um só deus ser uma comunidade nos lembra outra passagem bíblica:

    "E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos." Bíblia Sagrada Mc.5:9.
  6. Logo depois o clérigo continua: "Já para os muçulmanos Deus é muito distante. Deus é Soberano, Altíssimo, inatingível. E este Deus distante, Soberano, Ele manda no homem e o homem está aqui (e aponta para baixo) e a única coisa que o homem pode fazer com Deus é obediência. A própria ideia de Islam é isso: obediência."
    Bem, analisemos por partes o que o sacerdote diz (mais uma vez sem se dar ao trabalho de pesquisar):  "Já para os muçulmanos Deus é muito distante. Deus é Soberano, Altíssimo, inatingível".
    Certamente o senhor Paulo Ricardo não leu sequer uma vez o Sagrado Alcorão para poder falar do Islam, o que é um erro fatal, falar da religião alheia sem conhecer o livro sagrado sobre a qual se apóia. Se ele tivesse se dado ao trabalho teria encontrado o que o Deus Soberano, Altíssimo e Inatingível que todos os profetas, incluindo Jesus (A.S.) e nós muçulmanos adoramos disse no Sagrado Alcorão:

    "Criamos o homem e sabemos o que a sua alma lhe confidencia, porque estamos mais perto dele do que a (sua) artéria jugular." Sagrado Alcorão 50:16

    E ainda:

    "Quando Meus servos te perguntarem por Mim, dize-lhes que estou próximo e ouvirei o rogo do suplicante quando a Mim se dirigir." Sagrado Alcorão 2:186
  7. Agora prestemos atenção na comparação feita com o deus cristão que segundo ele encarnou para fazer aliança com o ser humano. Nesse caso se referindo a Jesus (A.S.). Sobre isso leia os artigos deste blog intitulados: Jesus é Deus?; Jesus, o Verbo de Deus, É Deus?; Jesus (A.S.) é Emanuel (Deus Conosco)? e Os Profetas Sabiam Tudo?
  8. Depois de tudo isso Padre Paulo Ricardo faz a comparação entre um Estado Islâmico e um Estado Governado pela Igreja e pelos Reis Cristãos que segundo ele sempre foram servos de Deus, pecadores, que dependiam da misericórdia de Deus e que sabiam muito bem que deveriam governar como os pais dos pobres.
    Ora! Será que é isso que nós vemos durante os períodos da inquisição, será que foi que vimos no Brasil império em relação aos escravos?
    Com relação ao Estado Islâmico temos diversos relatos sobre a proteção que o Califa dava aos Cristãos. Um exemplo disso foram as últimas frases do testamento de Omar Ibn Al Khatab, segundo Califa do Islam, que foi golpeado várias vezes nas costas por um cristão com um punhal envenenado. Em seu leito de morte ele disse para o seu sucessor:
    "Quero que você, em nome do povo a quem foi concedida proteção em nome de Deus e de Seu Profeta (isto é, os dhimmis, ou as minorias não muçulmanas que vivem no Estado Islâmico, tal como os cristãos) (...) Nosso acordo com eles deve ser cumprido, devemos lutar para protegê-los,e eles não devem ser sobrecarregados além de suas possibilidades."
    Sobre como a Igreja agia, recomendamos que leia o artigo neste blog escrito por Fatimah Bint Maryam  intitulado Em Resposta ao Bispo Roberto Torrecilhas...
    Creio que o mais interessante neste ponto é observar o que o padre diz com tom de deboche: "Se depois isso não foi realizado plenamente por ninguém isso são outros quinhentos." Então nossa curiosidade se aguça e perguntamos: Onde entra neste aspecto a frase dita por Jesus: "Por seus frutos os conhecereis." (Mt. 7:16)?
    É interessante saber que o termo Jihad nada mais significa senão: empenho, esforço. A tradução tendenciosa para o termo "Guerra Santa" foi dado sarcasticamente pela Igreja, pois ela sim denominava as sangrentas cruzadas fomentadas por si própria como "Guerra Santa". Guerras estas que eram promovidas aos gritos de "Deus le Volt!", ou "Deus o Quer!". Já quanto a acusação do Profeta Muhammad (S.A.S.) dizer que os infiéis deveriam ser sujeitados à espada, sugiro que se leia o artigo deste blog intitulado "Islam: Violento?".
    Quanto a questão do Cristianismo, será que o Pe. Paulo Ricardo é tolo o suficiente, ou nos toma por tolos de acreditarmos que o Cristianismo se expandiu apenas por conversões? Por que será que o mesmo não fala por exemplo sobre a "Santa Inquisição" em que foram mortos muçulmanos, judeus e pessoas de diversas outras religiões, inclusive cristãos gnósticos pelo simples fato de não aceitarem na fé católica? Os que não morreram tiveram que ser batizados a força e praticar, ao menos publicamente, a fé católica. Um exemplo disso foram os próprios judeus sefaraditas (de Portugal e Espanha) que para não serem condenados à morte foram forçados a se tornarem católicos (publicamente) e assim ficaram conhecidos como: Bnei Anussim, Marranos ou Cristãos Novos.
    Enfim caro Padre Paulo, quem se impôs a força afinal? Quem massacrou outros povos nessa imposição? Quem foi e é intolerante?... Tudo isso se aprende, basta estudar...
    Que tal estudar história em vez de tentar deturpá-la?

domingo, 6 de maio de 2012

Os Profetas Sabiam Tudo?

É fato conhecido por todos nós muçulmanos, e mesmo não muçulmanos o quanto alguns supostos cristãos tem atacado não apenas o Islam, mas qualquer religião que não faça parte de suas próprias instituições, sejam elas evangélicas ou não.
Recentemente ouvimos alguém nos dizer que o Profeta Muhammad (S.A.S.) não tinha certeza sobre sua própria fé e nem sobre a sua revelação, tanto que escreveu no Sagrado Alcorão:

"Dize-lhes (mais): Não sou um inovador entre os mensageiros, nem sei o que será de mim ou de vós. (...) - Sagrado Alcorão 46:9

No entanto esta mesma pessoa esqueceu de citar primeiramente toda a ayah que diz: 

"Dize-lhes (mais): Não sou um inovador entre os mensageiros, nem sei o que será de mim ou de vós. Não sigo mais do que aquilo que me tem sido revelado, e não sou mais do que um elucidativo admoestador." - Sagrado Alcorão 46:9

A Ayah de número 9 da Sura Al Ahcaf, de número 46, na parte destacada em vermelho diz que o Profeta Muhammad (S.A.S.) não segue nada além do que Allah o revelava. Logo só tinha conhecimento do futuro quando Ele, Allah o permitia. Um exemplo claro sobre tal fato se encontra na Sirah [biografia do Profeta (S.A.S.)] quando algumas pessoas vieram questioná-lo sobre: a alma, os companheiros da caverna e Zul Qarnaim. Então o Mensageiro de Deus (S.A.S.) disse: "Responder-vos-ei amanhã" sem acrescentar "Insha'Allah" (Se Deus quiser). No entanto devido a esse esquecimento, Allah atrasou as respostas por um período de quinze dias e então revelou as seguintes Ayat do Sagrado Alcorão:

"Jamais digas: Deixai, que farei isto amanhã, a menos que adicioneis: Se Allah quiser! Recorda o teu Senhor quando esqueceres, e dize: É possível que meu Senhor me encaminhe para o que está  mais próximo da verdade." Sagrado Alcorão 18:23-24

Logo mediante as explicações acima podemos deduzir que: O desconhecimento sobre o futuro, não é uma dúvida quanto a sua fé nem quanto a revelação, mas uma afirmativa de que a onisciência dos fatos futuros inclusive está apenas sob o domínio do Criador do tempo. Allah.
Quanto a escrita do Sagrado Alcorão já citamos em diversos artigos que seu autor não foi o Profeta Muhammad (S.A.S.), mas o próprio Allah que o ditou a seu Profeta (S.A.S.) por intermédio do anjo Gabriel.
No entanto o desconhecimento do futuro não é uma particularidade do Profeta Muhammad (S.A.S.), mas de todos os seres humanos, inclusive de outros profetas, como foi o caso do Messias Jesus (A.S.), Filho de Maria, como podemos ler no texto bíblico:

"Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho (ou seja, Jesus), mas unicamente meu Pai." (Mt. 24:36).


Logo concluímos em primeiro lugar que aos acusadores do Islam falta conhecimento tanto do Islam quanto de sua própria Bíblia, assim como o estudo de interpretação de texto. Em segundo, que apenas Allah é o detentor do tempo e do conhecimento do porvir.